A comissão organizadora da devoção à alma do Terto está programando a tradicional celebração que marca o aniversário de morte do mesmo. A celebração acontecerá no próximo dia 28 de novembro na capela edificada em sua alma que fica ao lado do cemitério São Benedito no bairro Pista Nova. Este será um momento especial, pois celebra-se os 100 anos de nascimento e 77 anos de morte de Tertuliano Lima Neto (Terto).

QUEM FOI TERTO?

Tertuliano Lima Neto, nasceu no dia 15 de julho de 1925, filho do casal João Velho e Amélia, na Rua dos Oitis, atual Rua Lauro Sodré. O casal teve quatro filhos: Tertuliano,  Luís, José e Conceição.

As crianças cresciam recebendo as orientações da família, o aconchego, o companheirismo, o trabalho e a sensibilidade solidária, tanto que numa certa manhã, bate à porta do casal João Velho e Amélia, uns retirantes, vítimas da terrível seca que assolava o nordeste no ano de 1932. O casal logo acolheu, e procurou atender às necessidades imediatas dos imigrantes. Foram vários dias que passaram na residência do casal na então Rua dos Oitis. De imediato, o menino Tertuliano, por ser mais extrovertido conseguiu a simpatia dos desconhecidos.

Indefeso e sem nenhuma maldade, a criança, era constantemente colocada nos braços e no colo de uma das retirantes, uma senhora de idade que aparentava mais de sessenta anos, mas os traços físicos lhe davam mais. Mesmo assim, nem a família e nem a cidade imaginava o risco que corria a frágil criança. Nem mesmo a senhora que no momento encontrava-se infectada pela bactéria da hanseníase, pensava nas consequências futuras.

À medida que o tempo passava, Tertuliano crescia e junto com ele de forma silenciosa a doença desenvolvia o que levou aparecer os primeiros sinais: manchas avermelhadas tomavam conta do seu corpo, as orelhas cresciam e os sapatos passaram ser seus companheiros inseparáveis, talvez para camuflar a mutilação dos dedos.

As longas abas do seu chapéu não objetivavam a proteção solar, o que também foram suficientes para esconder as deformações de suas orelhas. Tais fatos geraram interrogações na população valenciana que há muito tempo já estava desconfiada.

A notícia se espalhou rapidamente pelos quatro cantos da cidade. Segundo relatos, alguns, de forma perversa, fincavam pregos nos calcanhares de Terto para verificar se realmente eles estavam dormentes e não mais sentia dores. Isso provocava mais espanto nos que praticavam a maldade, como também naqueles que apenas sabiam das notícias. Assim a notícia se proliferava sem escrúpulos e sem respeito humano.

Tertuliano não tinha esperança de cura. A medicina da época na cidade era limitada. Todavia, a vigilância sanitária foi acionada e, de Teresina, fora enviado um caixote para remoção de Tertuliano para o leprosário São Lázaro em Parnaíba. Fato este que o deixou mais constrangido e agonizante. Tertuliano faleceu em 28 de novembro de 1948 e população da cidade que o discriminou em vida fez o mesmo quando de sua morte, não aceitando que o mesmo fosse sepultado no cemitério, tendo o mesmo que ser enterrado fora dele, onde hoje se encontra o local de devoção popular valenciana.

De discriminado a símbolo de devoção religiosa, Terto é hoje venerado por muitos fieis católicos valencianos e a ele são dedicadas várias graças e curas. As pessoas regularmente fazem visitação, acendem velas, levam flores, fazem orações e pedem a intercessão da alma do Terto para suas aflições. A celebração pela alma do Terto já faz parte hoje do calendário religioso valenciano.

Colaboração: Professor Antonio José.

Local onde ficava a casa de Tertuliano Lima Neto (Terto) na Rua Lauro Sodré, no centro.

 

 

 

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